terça-feira, 2 de junho de 2009

Da ordem ao caos - a Física de Sistemas Complexos e as interrelações de agentes sociais

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O século XX foi aberto pela revolução da Física propiciada pelas idéias da Teoria da Relatividade e da Mecânica Quântica. Einstein contribuiu de modo fundamental. Porém suas buscas ainda estavam orientas por conceitos do século XIX, tais como continuidade, simplicidade e simetria. Assim, como as pretenções políticas de sua época. Os Impérios coloniais europeus ainda buscavam continuidade. Os Estados-nações independentes buscavam a simplicidade de apenas uma língua e religião oficial. E o Sistema Finaneiro Capitalista, por sua condição monopolista, buscava simetria em todos os cantos do planeta. Enfim, a grosso modo, era bem generalizada e comum tais idéias. Deste modo a política sócio-econômica agia, e a nova física e sua matemática servia como modelo científico. Porém, por meados dos anos 1960, Edward Lorenz, com sua teoria chamada "efeito borboleta" iniciou uma segunda revolução: a Teoria do Caos. Esta que só teve sua devida atenação nos anos de 1980. Atenção que agora peço que tenhamos novamente

A Teoria do Caos vem restituir o significado mais profundo do conceito de caos. Para além de seu significado pejorativo de confusão ou desordem, significa que há estados de organização interrelacional da matéria (um sistema) que são regidos por princípios descontínuos, instáveis, dinâmicos e complexos. Tais conceitos surgem para auxiliar buscas, diametralmente, opostas às inspiradas pela revolução einsteniana do início do século XX. O que antes significava ordem, agora significa uma das possibilidades de organização. Portanto há ordem na desordem e desordem na ordem. Pois bem, a título de ferramenta intelectual o modelo da Teoria do Caos lança novas inspirações para pensarmos o modo como nossa sociedade está organizada. São elas: atratores (um conjunto de comportamentos característicos para o qual evolui um sistema dinâmico independentemente do ponto de partida), espaço de fase (espaço abstrato multidimensional onde se representa o comportamento de um sistema, suas dimensões são as variáveis do sistema) e fractais (objetos geométricos não-euclidianos que possuem infinitos detalhes, geralmente auto-similares e independentes de escalas).

Vistos os conceitos básicos, partamos para uma de suas operacionalizações possíveis. O que isso tudo aqui nos interessa? Pois bem, a Teoria do Caos nos serve como uma provocação para irmos além do modo corriqueiro de vermos o mundo e suas interrelações. No caso a utilizemos para vermos as sociedades humanas e chegarmos à situações não vistas até então. 

  1. O conceito de atratores pode ser usados para pensarmos: porque certos movimentos sociais tendem a convergir sempre a uma situação onde suas ações se tornam nulas ou estéreis? Por exemplo, movimentos cujas ações sempre tendem a optar por formas de pressão a tanto insuficientes, tais como levantar cartazes, fazer greves de fome e/ou gritar pelas ruas chavões inócuos e palavras de ordem incompreensíveis.
  2. O conceito de espaço de fase pode nos ajudar a pensarmos: porque as manifestações de rua, ou em outros espaços controlados, definem o estado potencial da realização da demanda? Por exempo, manifestações cujos interesses são, a curto ou médio prazo, absorvidos por programas político-partidários para auto-promoção, tais como os direitos trabalhistas, passes livres para estudantes, ou cotas para minorias étnicas ou para classes menos favorecidas economicamente.
  3. O conceito de fractais pode servir de auxílio para pensarmos: porque a configuração do modo como de organização social tende, ora a regras fixas de hierarquia, ora a recorrência de modelos ultrapassados historicamente, e não aos processos estocásticos (eventos aleatórios) históricos? Por exemplo, organizações sociais como, grandes centrais sindicais semelhantes às hierarquias de associações empresariais, ou instituições públicas laicas à imagem de estruturas monásticas e sacerdotais religiosas, ou ONGs que atuam como organizações governamentais.
Para contribuir na abertura de novos horizontes de conhecimentos é preciso fazermos usos das mais variadas ferramentas intelectuais. É necessário uma autonomia generalizada ao pensamento. Algo indispensável à soberania do ato social, onde todo atuante (seja individual ou coletivo) define a situação e a finalidade de tal. Não insistiremos aqui na situação de que é necessário uma ação radical dos modos de como uma ferramenta intelectual deva ser difundida ou apropriada, mas deixaremos assinalado que qualquer agente social não pode ser determinado pela obediência civil do que é comumente ensinado e desconversado nas escolas, nos meios de comunicação ou nas rodas de conversa do dia a dia.

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